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A CASA MAIS VELHA E MAIS VIVA DE FLORIANÓPOLIS

Giovanna Graciano 3 min de leitura 1 visualizações

172 anos depois de sua fundação, a Biblioteca Pública de Santa Catarina celebra com portas abertas, livros na geladeira e bolo de aniversário para quem quiser entrar

Uma geladeira de livros no hall de entrada. Esse detalhe (inusitado, generoso, ligeiramente desconcertante para quem passa pela primeira vez) talvez seja a melhor forma de apresentar o espírito com que a Biblioteca Pública de Santa Catarina escolheu entrar em seus 172 anos. Não com solenidade, não com fitas cortadas por autoridades. Com livros disponíveis, gratuitos, para quem quiser simplesmente levar.

A instituição, fundada em 31 de maio de 1854, é a mais antiga do estado. Nasceu três anos antes de Santa Catarina ter uma assembleia legislativa própria: quando a província ainda dependia da burocracia imperial para quase tudo, o acervo bibliográfico já tinha endereço. Essa precedência não é curiosidade: é sinal de que, desde o começo, havia em Florianópolis quem entendesse a leitura como fundação, não ornamento.

A programação de aniversário, coordenada pela Fundação Catarinense de Cultura e distribuída entre os dias 25 e 30 de maio, não é uma lista de eventos soltos. Tem coerência. Há uma exposição de bordados sobre o Boi de Mamão, “Meu Boizinho”, convivendo com cartões postais históricos da Ponte Hercílio Luz, que completa cem anos. Há uma oficina de isogravura e poesia de cordel para crianças, outra de ilustração para livros infantis, e uma terceira, “Entre Linhas e Letras”, que tece literalmente bordado e literatura no mesmo gesto. Quem concebeu a programação entende que patrimônio se aprende fazendo, e que a mão que borda também memoriza.

Na sexta-feira, 29, a biblioteca abre uma nova exposição: “100 anos da Ponte Hercílio Luz em fotos, prosas e versos”, com visitação até 30 de junho. No mesmo dia, o Coral da Associação dos Magistrados Catarinenses canta parabéns enquanto o bolo é cortado, e depois há bingo, com livros de escritores catarinenses como prêmios. É difícil imaginar uma forma mais coerente de comemorar.

No sábado, 30, Rosane Cordeiro faz contação de histórias e assina livros, de manhã e de tarde. Das 10h às 12h, o Sarau Literomusical Café com Prosa reúne artistas, escritores e público num formato que a biblioteca pratica com regularidade, transformando as paredes do acervo em palco improvisado. À tarde, dois grupos distintos ocupam simultaneamente o espaço: o Grupo Amigos do Origami no Espaço Maker e o Encontro com o Haikai no segundo andar. Uma tarde de sábado em que cabe muito mais do que o habitual.

A Biblioteca também mantém durante toda a semana a Geladeira Literária (a instalação que fica no hall e que qualquer visitante pode acessar para levar o livro de seu interesse, sem burocracia) e o Troca-Troca de Livros no setor infantojuvenil, onde quem traz até cinco exemplares infantojuvenis pode trocar por outros do mesmo acervo. Basta aparecer.

Aos 172 anos, a Biblioteca Pública de Santa Catarina prova que a longevidade de uma instituição não se mede por quantos livros acumulou, mas por quantas vezes reabriu sua porta. Essa semana, ela abre mais uma vez.