ENTRE O MAR E O PLANALTO: O QUE MOVE A ARTE CATARINENSE HOJE
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ENTRE O MAR E O PLANALTO: O QUE MOVE A ARTE CATARINENSE HOJE

Giovanna Graciano 3 min de leitura 2 visualizações

De Florianópolis a Blumenau, de editais robustos a espaços reabertos, Santa Catarina afirma-se como polo cultural no Brasil

Existe uma tentação fácil, e convém resistir a ela: a de tratar Santa Catarina apenas como um estado de praias e cervejarias, de temporadas de verão e cartões-postais. O que o olhar mais atento revela é um ecossistema cultural em franca movimentação, que vai muito além da beleza do litoral e das festas de outubro no Vale do Itajaí. Das artes visuais ao cinema, da dança contemporânea ao teatro independente, o estado tem cultivado, com investimento crescente e vocação própria, um cenário artístico que merece — e exige — atenção nacional.

O Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), administrado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) no Centro Integrado de Cultura de Florianópolis, é um termômetro razoável do momento. Desde março de 2026, o espaço abriga duas exposições simultâneas e gratuitas que se complementam ao investigar Florianópolis como campo de experimentação artística: Entre o Tecido Urbano e as Imaginações Costeiras, com curadoria de Kamilla Nunes, e Da Potência Imagética da Cidade, com curadoria de Maria Helena Barbosa. Ambas ficam em cartaz até setembro de 2026 — tempo suficiente para que a cidade dialogue com suas próprias imagens, seus vazios e suas densidades. É o tipo de proposta que posiciona o MASC não como vitrine, mas como interlocutor ativo da produção contemporânea.

No interior do estado, Blumenau consolida sua vocação como polo de artes visuais. O Museu de Arte de Blumenau (MAB) tem recebido propostas de artistas de sete estados brasileiros para suas temporadas de exposição, o que, nas palavras do secretário municipal de Cultura Sylvio Zimmermann, demonstra “a abrangência e o prestígio que a Secretaria de Cultura alcançou no cenário artístico nacional”. A ALESC — Assembleia Legislativa do Estado — também mantém a Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho ativa, com um concurso artístico robusto que seleciona projetos para ocupação ao longo de 2026, reforçando o papel das instituições públicas como agentes de fomento, e não apenas como financiadoras de eventos pontuais.

O audiovisual catarinense também vive um momento de expansão. A FCC abriu inscrições para a edição 2025 do Prêmio Catarinense de Cinema com um investimento de R$ 9 milhões do Governo do Estado — montante significativo que cobre desenvolvimento, produção e difusão de obras audiovisuais com potencial de circulação nacional e internacional. Paralelamente, o Edital Circuito Catarinense de Cultura 2026, operacionalizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, injetou R$ 27,5 milhões em 507 propostas nas áreas de artes cênicas, artes visuais, música, literatura, audiovisual, patrimônio cultural e culturas populares — uma abrangência que revela uma política cultural que tenta, de fato, chegar às bordas do mapa.

Há, naturalmente, desafios que persistem. A descontinuidade dos editais, a concentração de equipamentos culturais no litoral e a invisibilidade de artistas do planalto e do oeste seguem sendo questões abertas. Mas a direção parece clara: Santa Catarina quer ser levada a sério como estado produtor de cultura — não apenas como destino de consumo dela. A reabertura do TAC, o vigor do MASC, a expansão do MAB e a vitalidade dos grupos de teatro independente que circulam pela Maratona Cultural de Florianópolis são sinais de um campo que se organiza, que cobra espaço e que, cada vez mais, sabe o que tem a dizer.