LAGES, O PINHÃO E AS NOITES QUE O FRIO NÃO APAGA
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LAGES, O PINHÃO E AS NOITES QUE O FRIO NÃO APAGA

Giovanna Graciano 2 min de leitura 3 visualizações

Em sua 36ª edição, a Festa Nacional do Pinhão toma o centro de Lages com música, fumaça de churrasco e a cumplicidade que o inverno serrano sabe criar

A fumaça sobe devagar da Rua Gastronômica no Recanto do Pinhão Aracy Paim. Na Praça João Costa, o calçadão enche antes das sete da noite, quando o frio já baixou o suficiente para que o paletó passe a ser necessidade, não moda. Em Lages, o inverno não é obstáculo: é convocação.

A 36ª Festa Nacional do Pinhão (que preenche o centro da cidade até 1º de junho) mostrou na noite de quarta-feira (27) o que três décadas e meia de tradição constroem: uma circulação orgânica entre dois polos distintos, o Recanto do Pinhão Aracy Paim e o Mercado Público Municipal Osvaldo Uncini, com públicos que transitam entre um e outro sem que a noite perca ritmo.

No Mercado Público, o pop rock da banda lageana On Jack divide espaço com os restaurantes que operam até tarde, em modelo recém-reformulado com sistema de tickets que agilizou o fluxo sem tirar o improviso de quem quer circular pelos boxes antes de decidir o que comer. É um detalhe logístico, mas revela um traço da festa: ela se preocupa com quem visita, não só com quem sobe ao palco.

No Recanto, o cantor Lisandro Amaral embalou a noite de um público que é, nessa hora, fundamentalmente das famílias: avós com netos, casais de meia-idade, turistas que não sabem exatamente o que estão vendo mas entendem que é genuíno. Essa genuinidade, difícil de fabricar e impossível de copiar, é talvez o bem mais precioso que a Festa do Pinhão preserva. “Ver o Calçadão cheio, com famílias e turistas conhecendo nossos espaços, e o Mercado Público recebendo tantas pessoas, é motivo de orgulho e felicidade”, disse a prefeita Carmen Zanotto.

A Araucaria angustifolia, que dá fruto ao pinhão e sombra generosa para quem percorre a Serra Catarinense, já foi muito mais abundante. Hoje, seus galhos em candelabro pontuam o horizonte de Lages como marcadores de uma paisagem que se foi estreitando. A festa que leva o nome do seu fruto é também, nesse sentido, um ato de memória: de um território, de um cheiro de braseiro que o verão não produz.

A programação desta quinta-feira (28) inclui o Quarteto Coração de Potro no Recanto do Pinhão e Leander Sá no Mercado Público. A festa segue com entrada gratuita, realização da Prefeitura de Lages e apoio do Governo do Estado de Santa Catarina.