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	<title>Olhar Catarina</title>
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	<description>Cultura catarinense reunida em um só lugar</description>
	<lastBuildDate>Thu, 28 May 2026 19:06:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Olhar Catarina</title>
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		<title>RETALHOS, BONECAS E A ARTE QUE CABE NAS MÃOS DE SEIS ANOS</title>
		<link>https://olharcatarina.com/retalhos-bonecas-e-a-arte-que-cabe-nas-maos-de-seis-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 19:06:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LAZER]]></category>
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					<description><![CDATA[No CIC, uma oficina ensina crianças a transformar sobras de tecido em roupinhas de boneca e, sem alarde, fala de…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>No CIC, uma oficina ensina crianças a transformar sobras de tecido em roupinhas de boneca e, sem alarde, fala de sustentabilidade com quem ainda aprende fazendo</em><br><br>Há algo que a criança sabe antes de qualquer conceito: que um retalho pode virar outra coisa. A transformação (essa capacidade de ver no descarte o começo de um objeto novo) é uma intuição que os adultos precisam reaprender e que a infância pratica com naturalidade desconcertante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">É a partir dessa intuição que a Oficina Kids do Centro Integrado de Cultura (CIC) propõe, no dia 3 de junho, às 8h30 da manhã, uma hora de trabalho manual com tecidos, colagem e customização artística. O objetivo declarado é criar roupinhas para bonecas; o objetivo não declarado (mas presente em cada detalhe da proposta) é despertar em crianças a partir de seis anos a percepção de que o que sobra tem valor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conduzida pela professora de artes Márcia Regina Bezerra Guimarães, a atividade trabalha coordenação motora, expressão artística e convivência social num formato que a própria palavra &#8220;oficina&#8221; já carrega: aprender fazendo, errando, ajustando, tentando de novo. Diferente de uma aula, onde o conhecimento vem de fora para dentro, a oficina começa da mão: do gesto, do contato com o material.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A opção pelos retalhos e materiais têxteis não é apenas pedagógica. É política, no sentido mais simples do termo: diz que o consumo tem consequências e que a imaginação é a primeira forma de sustentabilidade. Uma criança que veste sua boneca com sobra de tecido aprendeu algo que não está nos currículos formais, e que talvez fique mais tempo do que qualquer conteúdo ensinado de outra maneira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atividade é gratuita, voltada a crianças a partir de seis anos e pede a presença de um responsável. O gesto, intencional ou não, transforma a oficina num momento compartilhado entre gerações. Vagas limitadas; inscrições pelo WhatsApp (48) 99969-9426.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O CIC, com suas Oficinas de Arte, é um dos poucos espaços de Florianópolis que mantém uma programação contínua e gratuita de vivências artísticas para o público geral. A Oficina Kids é mais uma dessas frestas por onde a cidade respira arte: pequena no formato, larga no que abre.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>QUATRO OLHARES CATARINENSES NA CIDADE MAIS ANTIGA DO ESTADO</title>
		<link>https://olharcatarina.com/quatro-olhares-catarinenses-na-cidade-mais-antiga-do-estado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 19:01:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
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					<description><![CDATA[O 5º FALA São Chico seleciona quatro documentários de Santa Catarina para sua mostra em junho e reafirma que São…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O 5º FALA São Chico seleciona quatro documentários de Santa Catarina para sua mostra em junho e reafirma que São Francisco do Sul tem olho clínico para o audiovisual que importa</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há algo de propício em um festival de documentários acontecer na cidade mais antiga de Santa Catarina. São Francisco do Sul (fundada no século XVII, com centro histórico tombado, ruas de pedra e casarões que guardam a umidade do Atlântico) tem na memória sua matéria-prima. A escolha do lugar, desde a primeira edição, foi um gesto crítico: o cinema documental e a cidade-arquivo dialogam com naturalidade que outros territórios precisariam fabricar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O FALA São Chico, Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, chega à sua quinta edição entre os dias 25 e 28 de junho de 2026, com mostras competitivas de curtas documentários de toda a América Latina. Quatro obras catarinenses foram selecionadas para esta edição, número superior às três presentes na quarta edição, realizada em 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O festival, organizado pela Associação Cultural Panvision, aceita produções e coproduções de 20 países latino-americanos, com obras em português ou espanhol. A seleção contempla mostras competitivas, atividades de formação e apresentações artísticas, num formato que, desde 2022, buscou distinguir o FALA São Chico de festivais que tratam o cinema como produto em vez de processo. A quarta edição reuniu mais de 2.500 pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença catarinense no festival tem uma regularidade que não é coincidência. Santa Catarina vem produzindo documentários consistentes, com territórios que vão da ilha ao planalto e do litoral norte à Serra oferecendo material para cineastas atentos ao que é específico, ao que não se generaliza. Em 2022, primeira edição, o estado liderou com seis filmes selecionados. Quatro anos depois, são quatro obras.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O FALA São Chico acontece num ano importante para o audiovisual catarinense: o Festival Internacional de Cinema FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul) completa 30 anos em 2026, com programação especial prevista para setembro na capital. Dois festivais no mesmo estado, no mesmo ano, com identidades complementares. Um olha para a América Latina a partir da cidade mais antiga do estado; o outro olha para o Mercosul a partir da capital. Juntos, cobrem o que uma cena cinematográfica madura precisa cobrir.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A programação completa do 5º FALA São Chico está disponível em falasaochico.com.br.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O PALCO QUE AINDA NÃO É DE TODAS</title>
		<link>https://olharcatarina.com/o-palco-que-ainda-nao-e-de-todas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 18:59:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
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					<description><![CDATA[Pesquisa inédita de catarinenses revela que mulheres protagonizaram 8,4% dos shows de música instrumental no estado, número que cai para…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Pesquisa inédita de catarinenses revela que mulheres protagonizaram 8,4% dos shows de música instrumental no estado, número que cai para zero quando o recorte é de mulheres negras</em>.<br><br></p>



<p class="wp-block-paragraph">O dado é seco e não deixa margem para interpretação generosa: em festivais catarinenses de música instrumental realizados entre 2024 e 2025, mulheres protagonizaram 8,4% dos shows analisados. O Brasil inteiro tem, nesse mesmo período, 10%. Santa Catarina fica abaixo da média nacional. Quando o recorte considera mulheres negras instrumentistas, os números revelam algo mais pesado: menos de 1% das artistas identificadas nos palcos, e nenhum show protagonizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses números saem da pesquisa <em>&#8220;O Palco que Nos Deve: Mulheres e a conquista do espaço na Música Instrumental&#8221;</em>, desenvolvida pelas pesquisadoras catarinenses Valentina Bravo e Caroline Cantelli com apoio de outras quatro especialistas. O levantamento, realizado entre junho de 2025 e maio de 2026, analisou a programação de 28 festivais nacionais dedicados à música instrumental, somando 522 shows e 2.369 artistas identificados. Cruzou dados quantitativos com entrevistas em profundidade feitas com 12 instrumentistas, compositoras e arranjadoras de diferentes gerações e territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que a pesquisa identifica como <em>tokenismo</em> (a inclusão simbólica que não altera a estrutura) aparece com frequência perturbadora: na maioria dos festivais analisados, havia apenas um show com protagonismo feminino em toda a programação. Um. Entre todos os dias, todos os palcos, todos os slots.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A pesquisa deixa evidente que existe uma produção extremamente potente feita por mulheres, inclusive em Santa Catarina. O problema não é falta de talento, mas as barreiras históricas de acesso aos espaços de circulação, reconhecimento e liderança dentro da música instrumental&#8221;, afirma Valentina Bravo, idealizadora do projeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há algo de específico no gênero que torna esse apagamento mais visível. A música instrumental, com suas tradições de choro, jazz, música de câmara e fusão, é um campo em que o domínio técnico é ostentado publicamente, em que a figura do solista ocupa o centro e a reputação se constrói no circuito de festivais. Ficar fora desse circuito é, portanto, um apagamento técnico, não apenas simbólico. A ausência não é neutra: ela fala.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as artistas catarinenses entrevistadas pelo projeto estão Natália Livramento, Mari Leonel e Denise de Castro, três musicistas que ajudam a construir a identidade da música instrumental produzida no estado. A iniciativa foi contemplada pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, edição 2025, da Fundação Catarinense de Cultura. Uma plataforma digital com entrevistas, dados e conteúdo audiovisual já está acessível pelo perfil @PalcoqueNosDeve.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisa não muda line-up. Quem muda é quem programa. Mas o dado precisa existir antes de qualquer mudança, e agora ele existe: com metodologia, com nome, com rostos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>LAGES, O PINHÃO E AS NOITES QUE O FRIO NÃO APAGA</title>
		<link>https://olharcatarina.com/lages-o-pinhao-e-as-noites-que-o-frio-nao-apaga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 18:56:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EVENTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[Em sua 36ª edição, a Festa Nacional do Pinhão toma o centro de Lages com música, fumaça de churrasco e…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Em sua 36ª edição, a Festa Nacional do Pinhão toma o centro de Lages com música, fumaça de churrasco e a cumplicidade que o inverno serrano sabe criar</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fumaça sobe devagar da Rua Gastronômica no Recanto do Pinhão Aracy Paim. Na Praça João Costa, o calçadão enche antes das sete da noite, quando o frio já baixou o suficiente para que o paletó passe a ser necessidade, não moda. Em Lages, o inverno não é obstáculo: é convocação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A 36ª Festa Nacional do Pinhão (que preenche o centro da cidade até 1º de junho) mostrou na noite de quarta-feira (27) o que três décadas e meia de tradição constroem: uma circulação orgânica entre dois polos distintos, o Recanto do Pinhão Aracy Paim e o Mercado Público Municipal Osvaldo Uncini, com públicos que transitam entre um e outro sem que a noite perca ritmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Mercado Público, o pop rock da banda lageana On Jack divide espaço com os restaurantes que operam até tarde, em modelo recém-reformulado com sistema de tickets que agilizou o fluxo sem tirar o improviso de quem quer circular pelos boxes antes de decidir o que comer. É um detalhe logístico, mas revela um traço da festa: ela se preocupa com quem visita, não só com quem sobe ao palco.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Recanto, o cantor Lisandro Amaral embalou a noite de um público que é, nessa hora, fundamentalmente das famílias: avós com netos, casais de meia-idade, turistas que não sabem exatamente o que estão vendo mas entendem que é genuíno. Essa genuinidade, difícil de fabricar e impossível de copiar, é talvez o bem mais precioso que a Festa do Pinhão preserva. &#8220;Ver o Calçadão cheio, com famílias e turistas conhecendo nossos espaços, e o Mercado Público recebendo tantas pessoas, é motivo de orgulho e felicidade&#8221;, disse a prefeita Carmen Zanotto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>Araucaria angustifolia</em>, que dá fruto ao pinhão e sombra generosa para quem percorre a Serra Catarinense, já foi muito mais abundante. Hoje, seus galhos em candelabro pontuam o horizonte de Lages como marcadores de uma paisagem que se foi estreitando. A festa que leva o nome do seu fruto é também, nesse sentido, um ato de memória: de um território, de um cheiro de braseiro que o verão não produz.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A programação desta quinta-feira (28) inclui o Quarteto Coração de Potro no Recanto do Pinhão e Leander Sá no Mercado Público. A festa segue com entrada gratuita, realização da Prefeitura de Lages e apoio do Governo do Estado de Santa Catarina.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A CASA MAIS VELHA E MAIS VIVA DE FLORIANÓPOLIS</title>
		<link>https://olharcatarina.com/a-casa-mais-velha-e-mais-viva-de-florianopolis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 18:53:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[EVENTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[172 anos depois de sua fundação, a Biblioteca Pública de Santa Catarina celebra com portas abertas, livros na geladeira e…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>172 anos depois de sua fundação, a Biblioteca Pública de Santa Catarina celebra com portas abertas, livros na geladeira e bolo de aniversário para quem quiser entrar</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma geladeira de livros no hall de entrada. Esse detalhe (inusitado, generoso, ligeiramente desconcertante para quem passa pela primeira vez) talvez seja a melhor forma de apresentar o espírito com que a Biblioteca Pública de Santa Catarina escolheu entrar em seus 172 anos. Não com solenidade, não com fitas cortadas por autoridades. Com livros disponíveis, gratuitos, para quem quiser simplesmente levar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A instituição, fundada em 31 de maio de 1854, é a mais antiga do estado. Nasceu três anos antes de Santa Catarina ter uma assembleia legislativa própria: quando a província ainda dependia da burocracia imperial para quase tudo, o acervo bibliográfico já tinha endereço. Essa precedência não é curiosidade: é sinal de que, desde o começo, havia em Florianópolis quem entendesse a leitura como fundação, não ornamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A programação de aniversário, coordenada pela Fundação Catarinense de Cultura e distribuída entre os dias 25 e 30 de maio, não é uma lista de eventos soltos. Tem coerência. Há uma exposição de bordados sobre o <em>Boi de Mamão</em>, &#8220;Meu Boizinho&#8221;, convivendo com cartões postais históricos da Ponte Hercílio Luz, que completa cem anos. Há uma oficina de isogravura e poesia de cordel para crianças, outra de ilustração para livros infantis, e uma terceira, &#8220;Entre Linhas e Letras&#8221;, que tece literalmente bordado e literatura no mesmo gesto. Quem concebeu a programação entende que patrimônio se aprende fazendo, e que a mão que borda também memoriza.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sexta-feira, 29, a biblioteca abre uma nova exposição: &#8220;100 anos da Ponte Hercílio Luz em fotos, prosas e versos&#8221;, com visitação até 30 de junho. No mesmo dia, o Coral da Associação dos Magistrados Catarinenses canta parabéns enquanto o bolo é cortado, e depois há bingo, com livros de escritores catarinenses como prêmios. É difícil imaginar uma forma mais coerente de comemorar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">No sábado, 30, Rosane Cordeiro faz contação de histórias e assina livros, de manhã e de tarde. Das 10h às 12h, o Sarau Literomusical <em>Café com Prosa</em> reúne artistas, escritores e público num formato que a biblioteca pratica com regularidade, transformando as paredes do acervo em palco improvisado. À tarde, dois grupos distintos ocupam simultaneamente o espaço: o Grupo Amigos do Origami no Espaço Maker e o Encontro com o Haikai no segundo andar. Uma tarde de sábado em que cabe muito mais do que o habitual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Biblioteca também mantém durante toda a semana a <em>Geladeira Literária</em> (a instalação que fica no hall e que qualquer visitante pode acessar para levar o livro de seu interesse, sem burocracia) e o Troca-Troca de Livros no setor infantojuvenil, onde quem traz até cinco exemplares infantojuvenis pode trocar por outros do mesmo acervo. Basta aparecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aos 172 anos, a Biblioteca Pública de Santa Catarina prova que a longevidade de uma instituição não se mede por quantos livros acumulou, mas por quantas vezes reabriu sua porta. Essa semana, ela abre mais uma vez.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A FITA SOBRE A BAÍA</title>
		<link>https://olharcatarina.com/a-fita-sobre-a-baia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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					<description><![CDATA[Rafael Bridi tem recordes sobre vulcões ativos e cachoeiras na Venezuela. O que ele queria mesmo era voltar para casa…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Rafael Bridi tem recordes sobre vulcões ativos e cachoeiras na Venezuela. O que ele queria mesmo era voltar para casa</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Havia um ciclone se formando ao largo. O vento chegava em rajadas sobre a Baía Sul. O plano original — cruzar os 1.200 metros entre a Torre Sul da Hercílio Luz e a Ponte Colombo Salles, o que quebraria o recorde mundial da modalidade — precisou ser abandonado. Rafael Bridi olhou para o céu, consultou a equipe, e fez o que qualquer <em>manezinho</em> experiente faria diante de um problema: adaptou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Às dezesseis horas do sábado, dia 16 de maio, com milhares de pessoas espalhadas pelas margens da Baía Sul, ele começou a caminhar. Uma fita de 2,5 centímetros de largura. 85 metros abaixo, água. A travessia foi feita sem barra de equilíbrio, apenas com o corpo, equipamentos de proteção e uma mochila de segurança, sobre um sistema composto por uma fita principal e uma fita reserva logo abaixo, em material híbrido de poliéster e nylon. Vinte e oito minutos depois, Rafael Bridi havia cruzado 605 metros. O maior highline urbano das Américas estava refeito — por ele mesmo, sobre a mesma ponte onde, em 2020, havia feito sua primeira travessia histórica durante a reinauguração da estrutura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Bridi acumula três recordes mundiais registrados no Guinness Book: o maior highline dentro de um vulcão ativo do mundo, no Monte Yasur, em Vanuatu; o highline mais alto do mundo em relação ao solo, realizado entre dois balões a 1.901 metros do chão, em Praia Grande, na Serra Catarinense; e a travessia a 1.008 metros de altura sobre o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, na Venezuela. Para escalar esse currículo, ele cruzou oceanos. E então voltou para o céu de Florianópolis para o recorde que, pelo seu próprio relato, carrega um peso diferente. &#8220;Quando eu olhava para frente, via o desafio. Quando olhava ao redor, via a minha história.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma geometria simbólica no que aconteceu naquele sábado que vai além do esporte. A Ponte Hercílio Luz foi construída porque Florianópolis precisava de conexão — uma ligação física entre o que estava separado pelo mar. Cem anos depois, um <em>manezinho</em> atravessou o vazio entre a Ilha e a torre sul da mesma ponte sobre uma fita do tamanho de um polegar. As duas histórias se tocaram no ar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O plano mais ambicioso ficou para outra hora. O vento decidiu diferente no sábado. Mas o vento muda, e Bridi tem historial de voltar. Por enquanto, o que o centenário da ponte ganhou foi uma imagem nova: a silhueta de um atleta caminhando devagar, em silêncio, sobre o aço das torres que sustentam o cartão-postal mais reproduzido de Santa Catarina. &#8220;Mesmo sendo desafiador realizar a travessia diante de milhares de pessoas, nunca senti uma energia tão boa.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.</em><br></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DE TODOS, PARA TODOS: O QUE O CENTENÁRIO DA PONTE ENSINA SOBRE CULTURA PÚBLICA </title>
		<link>https://olharcatarina.com/de-todos-para-todos-o-que-o-centenario-da-ponte-ensina-sobre-cultura-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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					<description><![CDATA[Do soul britânico ao reggae manezinho, as comemorações dos 100 anos da Hercílio Luz mostraram o que acontece quando cultura…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Do soul britânico ao reggae manezinho, as comemorações dos 100 anos da Hercílio Luz mostraram o que acontece quando cultura pública é levada a sério</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve quem reclamasse da Joss Stone. Houve quem achasse o Dazaranha de menos. Houve quem quisesse só a procissão, quem fosse apenas pelo highline, quem aparecesse para o remo no domingo de manhã. Esse desacordo generalizado sobre o que deveria ou não ter sido feito é, curiosamente, o melhor elogio que a programação do centenário da Ponte Hercílio Luz poderia receber: significa que havia algo para cada um.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de um fim de semana — e de um mês inteiro de maio — a Prefeitura de Florianópolis construiu uma agenda que recusou escolher um único público. A sexta começou com o grupo feminino Entre Elas cantando clássicos brasileiros na cabeceira insular da ponte, para moradores que passavam e ficavam. No sábado, a Orquestra Brasileira abriu a noite na Beira-Mar Continental antes da Joss Stone. No domingo, o Dazaranha — Patrimônio Cultural de Florianópolis desde 2006, com mais de três décadas de letras cantando a Ilha com sotaque e violino — tocou na inauguração do Parque do Remo. No mesmo dia, a Procissão de Nossa Senhora de Fátima percorreu o trajeto da ponte até a Beira-Mar, reunindo fiéis de diferentes gerações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gratuito. Tudo gratuito.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse detalhe não é pequeno. Democratizar cultura não é apenas diversificar o repertório — é garantir que o ingresso não seja a barreira. Uma banda como o Dazaranha, símbolo vivo da cultura manezinha, cujas canções são retratos sonoros do cotidiano, das paisagens e dos afetos que moldam o espírito da Ilha, tocando num parque público recém-revitalizado, à beira d&#8217;água, para quem quisesse aparecer: isso é política cultural concreta. Assim como trazer uma atração de alcance internacional para uma orla aberta, sem grade, sem camarote, sem divisão por quanto cada um pagou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que as programações de ocupação do espaço público fazem que nenhuma plataforma de streaming consegue é criar o encontro. As cem mil pessoas que circularam pelos eventos do fim de semana não estavam apenas consumindo cultura — estavam dividindo o mesmo ar, o mesmo céu, a mesma memória coletiva. A fã que veio de Londrina para ver Joss Stone. A família que acompanhou a procissão. Os remadores que disputaram a etapa do campeonato estadual. O público que ficou para o Daza depois da inauguração do parque.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não existe fórmula simples para isso. Uma programação que serve ao devoto e ao fã de soul britânico, ao atleta e ao músico manezinho, ao fotógrafo e ao remador, corre o risco de não agradar plenamente a nenhum deles. Foi exatamente esse risco que as comemorações do centenário aceitaram correr. E que, ao fim, valeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.</em></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>MARATONA FOTOGRÁFICA EM HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DA PONTE</title>
		<link>https://olharcatarina.com/maratona-fotografica-em-homenagem-ao-centenario-da-ponte/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 20:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTE]]></category>
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					<description><![CDATA[Na 29ª edição do evento mais aguardado pelos fotógrafos da cidade, a Hercílio Luz é convite e pretexto para um…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Na 29ª edição do evento mais aguardado pelos fotógrafos da cidade, a Hercílio Luz é convite e pretexto para um olhar renovado sobre Florianópolis</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Existe um ângulo da Ponte Hercílio Luz que todo florianopolitano já tentou fotografar pelo menos uma vez. A estrutura metálica recortada contra o azul da Baía Norte, a luz da manhã incidindo nas torres de 74 metros, a silhueta que some na névoa de inverno. É quase impossível passar por ali com uma câmera na mão — analógica, digital, ou o celular no bolso — e não parar.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Nos dias 23 e 24 de maio, a Fundação Cultural Franklin Cascaes realiza a 29ª edição da Maratona Fotográfica de Florianópolis, com o tema &#8220;Conexões que Fortalecem&#8221;, em homenagem ao centenário da Ponte Hercílio Luz. O evento é gratuito e aberto a fotógrafos profissionais, estudantes e interessados em fotografia.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A maratona tem uma mecânica que preserva a tensão criativa até o último momento: os subtemas que deverão orientar os registros fotográficos só são revelados no sábado, 23 de maio, durante a abertura oficial, no Largo da Alfândega, entre o meio-dia e meio-dia e quarenta e cinco. Até lá, cada participante sabe apenas que a cidade é o território e a ponte é a referência. Depois da largada, o que vale é o olhar de cada um.<a href="https://www.correiosc.com.br/maratona-fotografica-florianopolis-29-edicao/">&nbsp;</a></p>



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<p class="wp-block-paragraph">São 500 vagas distribuídas entre diferentes modalidades e categorias, num evento que transforma ruas, bairros, paisagens e cenários históricos em grandes espaços de criação e observação. As modalidades incluem analógica, digital e infantojuvenil — esta última dividida em faixas etárias de 6 a 17 anos, com prêmios individuais para cada categoria. A distribuição total de prêmios chega a mais de R$ 22 mil.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A Maratona Fotográfica movimenta Floripa e incentiva as pessoas a observarem a cidade com mais atenção. Cada participante registra, por meio do seu olhar, detalhes, histórias e conexões que fazem parte da nossa identidade. O evento se consolidou como uma tradição cultural de Florianópolis ao longo de quase três décadas, valorizando paisagens, espaços urbanos e a relação das pessoas com a cidade.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A escolha do tema <em>Conexões que Fortalecem</em> para uma edição centrada na Hercílio Luz é precisa. A ponte é, antes de qualquer coisa, uma conexão — entre ilha e continente, entre passado e presente, entre uma cidade que quase perdeu sua capital e o estado que ela representa. Pedir a fotógrafos de toda a região que saiam às ruas para interpretar esse conceito é uma forma de fazer com que a celebração centenária produza algo mais do que registros de arquivo: produza olhares contemporâneos sobre o que a ponte significa agora.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A 29ª edição conta com apoio da UNICESUSC e do Centro de Artes, Design e Moda da Udesc. A parceria com instituições de ensino reforça o caráter formativo do evento — não apenas como competição, mas como espaço de troca entre gerações de fotógrafos, do iniciante que vai pela primeira vez ao veterano de edições anteriores que já conhece cada esquina luminosa da cidade.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">O que sai de uma maratona fotográfica não são apenas imagens. São novos cartões-postais — subjetivos, urgentes, feitos na pressa e na surpresa dos subtemas revelados na hora. A Hercílio Luz vai ser fotografada centenas de vezes nos dias 23 e 24 de maio. Cada foto diferente da outra. Esse é o ponto.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.</em></p>
</blockquote>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>A PONTE COMO CARTÃO POSTAL DA CAPITAL DO ESTADO</title>
		<link>https://olharcatarina.com/a-ponte-como-cartao-postal-da-capital-do-estado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 20:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[HISTÓRIA]]></category>
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					<description><![CDATA[De símbolo de uma cidade a ícone de um estado inteiro: como 821 metros de aço suspensos sobre a Baía…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>De símbolo de uma cidade a ícone de um estado inteiro: como 821 metros de aço suspensos sobre a Baía Norte se tornaram o rosto de Santa Catarina</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph">No início, eram quatro navios cruzando o Atlântico com aço dos Estados Unidos. As peças foram fabricadas pelas empresas United States Steel Products Company e American Bridge Company e o projeto foi coordenado pelos engenheiros Steinman e Robinson. Quase dez mil quilômetros de travessia oceânica para chegar ao canteiro de obras de uma cidade que, na época, tinha cerca de 40 mil habitantes e dependia inteiramente de balsas para qualquer travessia entre a ilha e o continente.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A obra começou na década de 1920, durante o governo de Hercílio Luz, então governador de Santa Catarina. Na época, o acesso à ilha dependia principalmente de embarcações, o que dificultava o transporte de pessoas, mercadorias e serviços. A pressão política para transferir a capital catarinense para o interior era real — afinal, o isolamento geográfico falava por si. Hercílio Luz apostou na solução contrária: não mudar a capital, mas conectá-la. Ele não viveria para ver a inauguração. A ponte que deveria chamar-se <em>Independência</em> recebeu seu nome em homenagem ao governador que a sonhou, e foi entregue em 13 de maio de 1926.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">O que Steinman e Robinson entregaram era uma raridade técnica: 821 metros de extensão total — sendo 339,5 metros de vão central —, 28 vãos sustentados por duas torres principais de 74 metros e 12 torres secundárias, com suspensão formada por correntes de barras de olhal articuladas por pinos de aço. Essa solução, diferente dos cabos trançados que dominam a engenharia de pontes modernas, tornou a Hercílio Luz singular no mundo. Ela é atualmente a única no mundo com partes das barras de olhal compondo a corda superior da treliça de rigidez.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A singularidade técnica que a tornava única virou também o maior desafio de quem tentou salvá-la décadas depois. As barras de olhal são uma tecnologia do início do século XX que não é mais fabricada em escala industrial no mundo. A raridade dessas peças tornou o restauro um desafio global, pois cada uma precisou ser inspecionada e, em muitos casos, replicada com aços de alta performance. O desgaste da estrutura levou à proibição do tráfego de veículos pesados nos anos 1980 e, posteriormente, ao fechamento total em 1991. Durante décadas, o futuro do monumento gerou debates sobre preservação, custo e risco estrutural. A transferência de carga durante a restauração — transferir o peso da ponte velha para uma estrutura provisória instalada por baixo, e depois de volta para as novas barras — foi uma operação matemática de risco extremo. A reabertura, em dezembro de 2019, foi tratada como acontecimento histórico.<a href="https://bmcnews.com.br/ultimas-noticias/sustentada-por-barras-de-olhal-que-nao-se-fabricam-mais-no-mundo-a-maior-ponte-pensil-do-brasil-foi-salva-da-queda-apos-uma-obra-de-engenharia-de-30-anos-e-r-600-milhoes/">&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o que transforma a Ponte Hercílio Luz de obra de engenharia em símbolo de estado é algo que nenhum cálculo estrutural mede. Tombada pelo IPHAN em 1998 como patrimônio cultural do Brasil, a estrutura atravessou diferentes fases ao longo do século: foi símbolo de modernidade, enfrentou décadas de deterioração, passou por grandes restaurações e hoje segue como um marco da engenharia e da memória catarinense. Ela aparece em camisetas, azulejos, quadros, logotipos de empresas, tatuagens. </p>



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<p class="wp-block-paragraph">Levantamento realizado pelo Instituto MAPA, divulgado em setembro de 2025, confirma o que já era óbvio para qualquer catarinense: a Hercílio Luz permanece o maior símbolo turístico de Santa Catarina. Não Bombinhas. Não o litoral norte. A velha senhora, de aço, em Florianópolis.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Há nisso uma ironia que vale notar. A cidade que a ponte &#8220;salvou&#8221; de perder o status de capital cresceu tanto que hoje tem três outras travessias cruzando o canal entre a Ilha e o continente — e a Hercílio Luz, a mais antiga e a que ficou mais tempo fechada, ainda carrega toda a memória. É como se o estado inteiro tivesse depositado ali sua identidade. Não na arquitetura nova, não nas avenidas largas, mas nas torres de 74 metros de uma estrutura projetada em Nova Iorque, montada com aço americano, por mãos catarinenses, para resolver o mais catarinense dos problemas.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Cem anos depois, a ponte está iluminada com projeto cênico inigualável. De noite, sobre a água da Baía Norte, ela brilha como um cartão-postal que não precisa de legenda. Todo catarinense sabe o que é. E qualquer estrangeiro que chegar pela primeira vez a Florianópolis vai entender, ao vê-la, que chegou a um lugar com história.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>JOSS STONE: A INTERNACIONALIDADE DA ILHA DA MAGIA</title>
		<link>https://olharcatarina.com/joss-stone-a-internacionalidade-da-ilha-da-magia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 20:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
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					<description><![CDATA[A diva britânica do soul na festa do centenário da Hercílio Luz não foi uma escolha aleatória — foi o…]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>A diva britânica do soul na festa do centenário da Hercílio Luz não foi uma escolha aleatória — foi o retrato de uma cidade que já conversa com o mundo de igual para igual</em><br></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela chegou descalça. Joss Stone nunca usa sapatos no palco — é um hábito que virou marca, uma espécie de declaração de que a música exige contato direto com o chão. Na Beira-Mar Continental de Florianópolis, sábado à noite, essa escolha estética encontrou uma cidade que, à sua maneira, também tem feito isso: aproximar-se do mundo com os pés na areia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A presença de uma cantora britânica vencedora de dois BRIT Awards e um Grammy — mais de 15 milhões de álbuns vendidos e mais de 1 bilhão de streams acumulados — na celebração do centenário de uma ponte catarinense pode parecer, à primeira vista, um contraste. Mas Florianópolis deixou de ser a capital isolada que dependia de balsas para se conectar ao continente faz tempo. Hoje, a cidade é ponto de chegada de gente do mundo inteiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Os números sustentam o que qualquer morador da Ilha já percebe no cotidiano. Segundo ranking da plataforma Nomad List, referência global em trabalho remoto, Florianópolis foi o segundo destino que mais cresceu no mundo em atração de nômades digitais entre 2018 e 2023 — crescimento de 152%, atrás apenas de Tirana, na Albânia. Levantamento da consultoria DashCity aponta que, em 2025, a cidade abriga 5.666 nômades digitais, uma alta de 224% em seis anos. A organização Remote Year foi além: elegeu Florianópolis a melhor cidade do mundo para trabalho remoto, graças à combinação de infraestrutura tecnológica, belezas naturais e vida cultural. As projeções falam em triplicar esse contingente até 2030.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Esse movimento vai além de um movimento econômico. Ele é cultural. Quem passa um mês numa cidade não está só trabalhando — está frequentando restaurantes, assistindo a shows, usando espaços públicos, deixando referência e absorvendo. A Florianópolis que recebe mais de cinco mil nômades digitais por ano já habituou seus moradores ao convívio com sotaques diferentes, hábitos distintos, perspectivas outras. O público que estava na Beira-Mar Continental no sábado — incluindo a fã que veio do Paraná só para ver Joss Stone de perto — é um retrato dessa circulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Nascida em Dover, na Inglaterra, Joss Stone se tornou a mais jovem cantora britânica a liderar as paradas do Reino Unido com seu segundo álbum, Mind Body &amp; Soul, em 2004, e entrou para o Guinness World Records como a vencedora solo mais jovem do BRIT Awards, aos 17 anos. Seu soul mistura as influências de Aretha Franklin e Janis Joplin com a sensibilidade de uma artista que, ao longo de mais de duas décadas, nunca parou de se reinventar — do R&amp;B ao reggae, do pop à world music. Na Beira-Mar Continental, ela apresentou os sucessos de uma carreira construída numa relação visceral com o público, com aquela interação que bons shows ao vivo têm e que a tela do celular nunca vai conseguir reproduzir.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma conversa implícita, portanto, entre a escolha dessa atração e o que Florianópolis tem se tornado. Os estrangeiros que vêm por um mês e muitas vezes acabam ficando trazem novas referências, ajudam a oxigenar o ambiente de inovação e ampliam a visão de mundo das empresas e pessoas locais. Uma cidade que se internacionaliza — nas startups, nos espaços de coworking, nas comunidades de founders em Jurerê, nos letreiros bilíngues que foram aparecendo pela orla — naturalmente passa a receber e a produzir eventos com outra escala de alcance. O show gratuito de Joss Stone na festa da Hercílio Luz não é incongruente com a identidade local. É uma das expressões mais honestas do que essa cidade se tornou.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Ilha da Magia sempre foi um nome carregado de ambiguidade — misticismo açoriano, natureza exuberante, aquele jeito manezinho de levar a vida sem pressa. Mas a magia contemporânea de Florianópolis inclui também isso: ser um lugar onde uma britânica descalça pode cantar para cinquenta mil pessoas à beira da Baía Norte, diante de uma ponte centenária, e a cena fazer sentido perfeito.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.</p>
</blockquote>



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