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	<title>CULTURA &#8211; Olhar Catarina</title>
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	<description>Cultura catarinense reunida em um só lugar</description>
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		<title>A MESA DO INVERNO CATARINENSE: QUANDO O FRIO CONVOCA O SABOR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 14:32:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[GASTRONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Da tainha nas redes à ostra no limão, a gastronomia sazonal de Santa Catarina é patrimônio tanto quanto paisagem Há…]]></description>
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<h3 class="wp-block-heading"><em>Da tainha nas redes à ostra no limão, a gastronomia sazonal de Santa Catarina é patrimônio tanto quanto paisagem</em></h3>



<p></p>



<p>Há algo de ritual no inverno catarinense que não se explica apenas pelo calendário gastronômico. É algo mais antigo, mais carnal — a chegada do frio que move pescadores ao mar ainda antes do amanhecer, a névoa sobre o Ribeirão da Ilha, o cheiro de brasa chegando antes que o peixe apareça na mesa. Quando maio começa a dobrar suas esquinas e o vento sul assina presença no litoral, Santa Catarina muda de tom. A culinária acompanha essa mudança com a precisão de quem sabe que a sazonalidade não é tendência de chef: é sabedoria acumulada por séculos de gente que viveu do mar e com ele aprendeu a comer.</p>



<p></p>



<p>A tainha é, sem disputa, o símbolo maior desse período. Peixe típico dos meses de maio a julho, ela retorna ao litoral catarinense em cardumes que ainda hoje se anunciam pela intuição dos <em>vigias</em>, os observadores postados nos pontos mais altos das dunas e costões para avistar o brilho dos cardumes à superfície. A pesca artesanal da tainha é patrimônio imaterial do Estado de Santa Catarina — um espetáculo coletivo em que moradores e turistas ajudam a puxar os arrastões e, de quebra, garantem quilos do peixe fresquíssimo. Na cozinha, os modos de preparo são tão variados quanto as comunidades que os praticam: a <em>tainha na telha</em>, assada lentamente com farofa de ova ou camarão sobre telha de cerâmica; a <em>tainha escalada</em>, aberta pela espinha, salgada e seca ao sol antes de ir à brasa — o jeito manezinho por excelência; ou simplesmente frita, com pirão e farinha de mandioca, que é como boa parte da ilha prefere.</p>



<p></p>



<p>O pirão, aliás, merece menção especial. É o caldo de peixe espessado com farinha de mandioca — herança da fusão entre o saber indígena Carijó e os costumes açorianos que chegaram ao litoral catarinense no século XVIII. Os imigrantes portugueses, que cultivavam trigo e cevada em Açores, encontraram no Brasil uma terra onde essas plantas não prosperavam. Foram os indígenas que ensinaram a usar a mandioca, e foi do encontro entre as duas culturas que nasceu o pirão catarinense — espesso, saboroso, inseparável do peixe na mesa de qualquer rancho à beira-mar. Há mesmo uma festa inteiramente dedicada a ele, que acontece anualmente em Barra Velha, no litoral norte do estado.</p>



<p></p>



<p>O inverno também é estação generosa para as ostras. Santa Catarina responde por 97,9% da produção nacional do molusco, e Florianópolis concentra boa parte dessa riqueza — especialmente no bairro de Ribeirão da Ilha, referência nacional na maricultura e no consumo in natura. Ostras ao limão, gratinadas, com molho de maracujá ou simplesmente ao natural com um toque de limão siciliano: o ritual de abri-las à beira do mar é, para quem já o viveu, difícil de substituir. A eficiência do frio na produção das ostras é conhecida: as águas mais frescas do inverno favorecem a qualidade e a textura do molusco, tornando os meses mais frios justamente os mais indicados para quem quer a experiência completa.</p>



<p></p>



<p>A gastronomia catarinense do inverno também revela a diversidade de um estado que, ao contrário do que a monocultura do litoral poderia sugerir, carrega múltiplas heranças europeias em seu interior. No Vale do Itajaí, o frio convoca o <em>eisbein</em> e a <em>marreco recheado</em> de influência germânica. Na Serra, os vinhos de altitude de São Joaquim ganham destaque nas mesas que se reúnem em torno de fondues e carnes de cordeiro criado nas alturas. No sul do estado, a influência italiana aparece nos salames artesanais e nas polentadas que aquecem os invernos de Criciúma e Urussanga. Santa Catarina, em suma, não tem apenas um inverno: tem muitos — e todos valem a mesa.</p>



<p></p>
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		<title>ENTRE O MAR E O PLANALTO: O QUE MOVE A ARTE CATARINENSE HOJE</title>
		<link>https://olharcatarina.com/entre-o-mar-e-o-planalto-o-que-move-a-arte-catarinense-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 14:28:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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					<description><![CDATA[De Florianópolis a Blumenau, de editais robustos a espaços reabertos, Santa Catarina afirma-se como polo cultural no Brasil Existe uma…]]></description>
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<h3 class="wp-block-heading"><em>De Florianópolis a Blumenau, de editais robustos a espaços reabertos, Santa Catarina afirma-se como polo cultural no Brasil</em></h3>



<p></p>



<p>Existe uma tentação fácil, e convém resistir a ela: a de tratar Santa Catarina apenas como um estado de praias e cervejarias, de temporadas de verão e cartões-postais. O que o olhar mais atento revela é um ecossistema cultural em franca movimentação, que vai muito além da beleza do litoral e das festas de outubro no Vale do Itajaí. Das artes visuais ao cinema, da dança contemporânea ao teatro independente, o estado tem cultivado, com investimento crescente e vocação própria, um cenário artístico que merece — e exige — atenção nacional.</p>



<p></p>



<p>O Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), administrado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) no Centro Integrado de Cultura de Florianópolis, é um termômetro razoável do momento. Desde março de 2026, o espaço abriga duas exposições simultâneas e gratuitas que se complementam ao investigar Florianópolis como campo de experimentação artística: <em>Entre o Tecido Urbano e as Imaginações Costeiras</em>, com curadoria de Kamilla Nunes, e <em>Da Potência Imagética da Cidade</em>, com curadoria de Maria Helena Barbosa. Ambas ficam em cartaz até setembro de 2026 — tempo suficiente para que a cidade dialogue com suas próprias imagens, seus vazios e suas densidades. É o tipo de proposta que posiciona o MASC não como vitrine, mas como interlocutor ativo da produção contemporânea.</p>



<p></p>



<p>No interior do estado, Blumenau consolida sua vocação como polo de artes visuais. O Museu de Arte de Blumenau (MAB) tem recebido propostas de artistas de sete estados brasileiros para suas temporadas de exposição, o que, nas palavras do secretário municipal de Cultura Sylvio Zimmermann, demonstra &#8220;a abrangência e o prestígio que a Secretaria de Cultura alcançou no cenário artístico nacional&#8221;. A ALESC — Assembleia Legislativa do Estado — também mantém a Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho ativa, com um concurso artístico robusto que seleciona projetos para ocupação ao longo de 2026, reforçando o papel das instituições públicas como agentes de fomento, e não apenas como financiadoras de eventos pontuais.</p>



<p></p>



<p>O audiovisual catarinense também vive um momento de expansão. A FCC abriu inscrições para a edição 2025 do Prêmio Catarinense de Cinema com um investimento de R$ 9 milhões do Governo do Estado — montante significativo que cobre desenvolvimento, produção e difusão de obras audiovisuais com potencial de circulação nacional e internacional. Paralelamente, o Edital Circuito Catarinense de Cultura 2026, operacionalizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, injetou R$ 27,5 milhões em 507 propostas nas áreas de artes cênicas, artes visuais, música, literatura, audiovisual, patrimônio cultural e culturas populares — uma abrangência que revela uma política cultural que tenta, de fato, chegar às bordas do mapa.</p>



<p></p>



<p>Há, naturalmente, desafios que persistem. A descontinuidade dos editais, a concentração de equipamentos culturais no litoral e a invisibilidade de artistas do planalto e do oeste seguem sendo questões abertas. Mas a direção parece clara: Santa Catarina quer ser levada a sério como estado produtor de cultura — não apenas como destino de consumo dela. A reabertura do TAC, o vigor do MASC, a expansão do MAB e a vitalidade dos grupos de teatro independente que circulam pela Maratona Cultural de Florianópolis são sinais de um campo que se organiza, que cobra espaço e que, cada vez mais, sabe o que tem a dizer.</p>
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		<title>O PALCO QUE NÃO SE APAGA: 150 ANOS DE HISTÓRIA NO CORAÇÃO DE FLORIANÓPOLIS</title>
		<link>https://olharcatarina.com/o-palco-que-nao-se-apaga-150-anos-de-historia-no-coracao-de-florianopolis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Graciano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 14:02:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[TEATRO]]></category>
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					<description><![CDATA[Teatro Álvaro de Carvalho é prisão, cinema, trincheira e templo das artes — e segue de pé Há uma frase…]]></description>
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<h3 class="wp-block-heading"><em>Teatro Álvaro de Carvalho é prisão, cinema, trincheira e templo das artes — e segue de pé</em></h3>



<p></p>



<p>Há uma frase que o poeta deixou escapar, quase em surdina, e que a Fundação Catarinense de Cultura fez questão de preservar: <em>&#8220;O teatro de nossa cidade é secular e poucos o conhecem.&#8221;</em> A sentença, lacônica como boa poesia, diz muito mais do que parece. O Teatro Álvaro de Carvalho — o TAC, como é chamado com a intimidade de quem frequenta a mesma casa há gerações — não é apenas o mais antigo palco em funcionamento de Florianópolis. É um documento vivo da cidade, um arquivo de pele e madeira que sobreviveu a revoluções, abandono, prisões e até à ameaça real de demolição. E segue erguido, recém-reformado, recebendo público.</p>



<p></p>



<p>A história começa, como toda boa trama, com uma insatisfação. Por volta de 1854, um grupo de pessoas ligadas à cultura tomou consciência de que Desterro — nome pelo qual Florianópolis era então conhecida — merecia um teatro à altura de suas ambições. O único espaço existente, o Teatro São Pedro de Alcântara, estava em ruínas. Foi assim que nasceu a <em>Sociedade Emprehendedora</em>, com o propósito de viabilizar a construção do novo teatro. Em 29 de julho de 1857, lançava-se a pedra fundamental. Começavam as tramas — e as paralisações. Dezoito anos de obras interrompidas, disputas de interesse e falta de recursos depois, o Teatro Santa Isabel — nome dado em homenagem à Princesa Isabel — abriu suas portas pela primeira vez em 5 de junho de 1871, ainda incompleto. A inauguração oficial só viria em 7 de setembro de 1875.</p>



<p></p>



<p>Os anos seguintes seriam um enredo digno de seu próprio palco. Em 1893, a Revolução Federalista varreu Santa Catarina, e o teatro foi designado quartel da Guarda Nacional. Com a retomada do poder pelo Exército, o edifício passou a abrigar presos políticos do General Moreira Cesar. Ao mesmo tempo, o espaço foi palco da primeira exibição de cinema em Florianópolis — o sétimo tão original quanto involuntário da sua história. Em 1894, numa atitude de ruptura simbólica com a monarquia, o Decreto de 2 de julho mudou o nome do teatro para Teatro Álvaro de Carvalho, em homenagem ao primeiro dramaturgo catarinense: um tenente e comandante da Marinha Brasileira, autor das peças <em>Raimundo</em> e <em>Uma Moça de Juízo</em>, que havia morrido heroicamente durante a Guerra do Paraguai. Curiosamente, pouco antes, em 17 de maio de 1894, Desterro também trocara de nome — passou a chamar-se Florianópolis. Cidade e teatro refaziam, juntos, suas identidades.</p>



<p></p>



<p>O século XX trouxe novos desafios. Por volta de 1899, recursos foram investidos para recuperar o que restava do teatro, e a casa ressurgiu como fênix. Em 1955, mais uma reforma radical impôs mudanças profundas — e não sem antes se cogitar, seriamente, que as cortinas fossem fechadas para sempre e o prédio demolido. A arquitetura original, de traço luso-brasileiro, foi cedendo às linhas ecléticas ao longo das décadas. Em 1988, o tombamento pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional selou oficialmente o que a cidade já sabia de cor: o TAC é insubstituível. Desde então, gerenciado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o espaço consolidou-se como o principal palco institucional de Santa Catarina, abrigando a Orquestra Filarmônica, companhias de dança, grupos de teatro e artistas de todo o país.</p>



<p></p>



<p>O capítulo mais recente desta história foi escrito em março de 2025, quando o TAC reabriu após um ano de fechamento para uma reforma de aproximadamente R$ 5 milhões bancada pelo Governo do Estado. As poltronas foram trocadas, os vitrais e lustres históricos recuperados, o piso de madeira restaurado, e os sistemas de som, iluminação e climatização completamente modernizados. A programação de reabertura reuniu cerca de quatro mil pessoas ao longo de 11 espetáculos em 15 dias — uma prova de que o público não havia esquecido o endereço. O TAC segue sendo o que sempre foi: o lugar onde Florianópolis olha para si mesma, com todas as suas contradições, belezas e obstinações.</p>
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